Casarão de Sete Lagoas: conheça o Centro Cultural Nhô-Quim Drummond

Quem caminha pela histórica Praça Tiradentes, no coração geográfico e afetivo de Sete Lagoas, inevitavelmente tem o olhar capturado pela imponência de uma fachada aristocrática. O desenho rigorosamente simétrico de suas inúmeras janelas coloniais funciona como um convite visual.

Imagem ilustrativa
Casarão – Crédito: PMSL/ASCOM

Aquelas aberturas de vidro e madeira, contudo, não servem apenas para arejar as salas de pé-direito alto; elas se abrem diariamente para revelar séculos de história e um dos movimentos culturais mais efervescentes de Minas Gerais. O Casarão, hoje oficialmente batizado como Centro Cultural Nhô-Quim Drummond, transcendeu a condição de mero monumento de preservação: ele é um farol vivo da identidade setelagoana.

Da fé setecentista à redenção cultural

A história desta fortaleza de adobe e cal começou a ser desenhada ainda no século XVIII. Construído originalmente pelo padre Antônio Salustiano Moreira para servir de moradia clerical, o imóvel atravessou os séculos, passando de geração em geração entre herdeiros, compras, inventários e cessões, chegando inclusive a abrigar uma escola de educação infantil.

Fotos retiradas do grupo Retalhos do Passado, no facebook

O grande divisor de águas que mudaria o destino do patrimônio ocorreu na década de 1980. Em 1988, o prédio foi submetido a um profundo e minucioso processo de restauração arquitetônica para curar as feridas do tempo. Três anos depois, em 1991, o espaço renasceu em definitivo: ganhou o status de Centro Cultural e foi rebatizado em homenagem ao centenário do icônico historiador, folclorista e artista local Nhô-Quim Drummond.

“O espaço é um local de referência das artes da cidade, sendo uma verdadeira representatividade no meio cultural”, destaca Mestre Saúva, que divide a gerência do Casarão com Lígia Valadares, gerente de Programas e Projetos da Secretaria Municipal de Cultura.

O Palco de Zacarias e as guardas da memória

Nos fundos do complexo arquitetônico, uma joia à parte resgata a memória afetiva, humorística e artística do Brasil: o Anfiteatro Mauro Faccio Gonçalves. O espaço é uma reverência eterna a “Zacarias”, o célebre comediante setelagoano de voz inconfundível e peruca memorável, que conquistou gerações no grupo Os Trapalhões, da Rede Globo.

Memorial Zacarias – Crédito: PMSL/ASCOM

O anfiteatro, somado ao acervo do Memorial Zacarias, funciona sob uma dupla missão: atua como guardião da arquitetura local e, simultaneamente, como palco permanente para performances contemporâneas que oxigenam a vida urbana.

Um casarão ocupado pelo povo

Se no período colonial as grossas paredes do Casarão isolavam a aristocracia e o clero do restante da vila, hoje a realidade é absolutamente democrática. O elitismo deu lugar ao pertencimento. Ao longo das últimas décadas, o local já abrigou desde os acordes eruditos da Orquestra Jovem de Sete Lagoas até feiras de artesanato e a cadência da dança de salão.

Foto: Divulgação/Batalha da Catarina

Atualmente, o ecossistema cultural que habita as salas e pátios do Casarão é um mosaico vibrante, plural e inclusivo, dividido em múltiplas frentes de atuação gratuita para a comunidade:

  • Batalha da Catarina: A rima afiada e a poesia marginal do rap ocupando o espaço histórico.
  • Gafieira Entre Amigos: A elegância e a boemia da dança de salão tradicional.
  • Bantu Katu: Oficinas percussivas de matriz afro-mineira que resgatam o toque dos tambores ancestrais.
  • Hip Hop em Movimento: Dança, expressão corporal e a força da cultura de rua.
  • Coral D’Angelis: A harmonia vocal ecoando pelas madeiras centenárias do prédio.
  • Capoeira para Todos: Diversas vertentes dessa arte marcial de matriz cultural, incluindo turmas exclusivas para mulheres, além de módulos para crianças e adultos.
  • Clube de Xadrez: Raciocínio lógico e estratégia em tabuleiros abertos ao público.
  • Lapso Cia. de Teatro: Ensaios, pesquisa cênica e formação de novos atores locais.
  • Clube de Leitura: Debates literários promovidos em parceria pedagógica e cultural com a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).
  • Yôga na Comunidade: Práticas integrativas gratuitas que utilizam o silêncio e a energia do Casarão para promover o equilíbrio mental e físico dos cidadãos.

Agende sua visita

Foto: PMSL-ASCOM

Com um fluxo constante que atrai tanto turistas ávidos por história quanto moradores locais em busca de lazer, o Centro Cultural Nhô-Quim Drummond oferece visitas guiadas completas por suas salas de cultura popular, pelo Memorial Zacarias e pelas áreas abertas do anfiteatro. Visitar o Casarão é mais do que um passeio turístico; é um compromisso indispensável para quem deseja tocar as raízes mais profundas de Sete Lagoas e entender como o ontem e o hoje caminham perfeitamente de mãos dadas.

O Casarão está de portas abertas esperando por você. Programe-se:

  • Segunda a sexta-feira: das 8h30 às 16h30
  • Sábados: das 8h às 15h30
  • Domingos: das 8h30 às 13h
  • Endereço: Praça Tiradentes, Centro – Sete Lagoas/MG
  • Entrada: Gratuita

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